Cenários de saída da crise à la FMI

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Os cenários de saída da crise traçados pelo FMI assumem um acréscimo na volatilidade dos mercados financeiros. Os países periféricos europeus estão a beneficiar – finalmente – de custos de financiamento mais reduzidos, mas entre a agonia e euforia, esta aparente fase de retoma económica será marcada pela mudança de rumo na política monetária norte-americana.

Na verdade, a mudança de rumo da política monetária dos EUA será determinante para alterações abruptas nos fluxos de investimento mundiais, de acordo com o Global Financial Stability Report. A gradual redução, e desactivação até Outubro, dos estímulos monetários por parte da Fed, associado a um expectável aumento das taxas de juro, algures em 2015, tem suscitado um abrandamento dos fluxos destinados às economias emergentes e em desenvolvimento.

O tapering (o tal processo progressivo de mitigação do quantititve easing) poderá configurar um cenário suave (Smooth Exit) ou cenário “Business as usual” ou de referência, com os juros a subirem até aos 4% em 2018, mas o FMI considera ainda dois outros cenários, um, mais abrupto (Bumpy Exit), em que essa fasquia dos juros poderá ocorrer em 2016, penalizando algumas zonas da economia mundial com sobreendividamento e significativos desfasamentos nos spreads de crédito;  o último cenário, que enquadra uma saída retardada (Delayed Exit)do quantitive easing  e que poderá minar a estabilidade financeira, nomeadamente nos emergentes numa primeira fase, mas que afectará subsequentemente as economias mais desenvolvidas.

Qualquer cenário implica reformas

Os mercados esperam uma nova calibração de políticas no seio dos países membros do FMI , com maior enfoque no médio prazo, ou seja, em vez dos estímulos monetários que tendem a corrigir ou ajustar no curto prazo, os mercados esperam mudança estruturais, nomeadamente no sistema bancário ou no mercado de trabalho, com vista a reduzir o desemprego jovem, sem esquecer o fortalecimento das instituições, sobretudo nos países em desenvolvimento.

A estabilidade financeira tem sido uma prioridade, mas a desalavancagem correspondeu a um maior rácio de dívida das empresas relativamente aos activos. Este défice de investimento é um risco para os próximos anos, sobretudo quando sabemos que o endividamento do sector empresarial triplicou entre 2009 e 2013. No caso europeu, agora que o prémio de risco das dívidas soberanas dos países periféricos diminuiu, há que atentar nos 800 mil milhões de crédito mal parado das empresas (cerca de 70% nos periférico) e os riscos associados à exposição dos bancos, o  que dificulta o acesso ao crédito pela economia real.

Redução endividamento na Zona Euro(em % PIB) 2009-2013

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Países,  Bancos, Famílias, Empresas

Zona Euro, 7.5, 1.8, 5.6

Portugal, 24.1, 7.7, 1.3

Irlanda, 50.1, 22.7, 9.8

Alemanha, 38.1, 6.9, 6.6 [/table]

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Economista de formação e jornalista por devoção, tenho procurado nos últimos anos desenvolver competências na área da prospectiva económica, com foco nas questões da globalização e sustentabilidade. A incerteza é uma matéria-prima crucial na reflexão sobre o nosso futuro colectivo.

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